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O poder do olhar que acredita

A literatura muitas vezes revela verdades profundas sobre a condição humana. Na obra Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, acompanhamos personagens que, mesmo diante de adversidades sociais e históricas, continuam lutando por dignidade, identidade e voz. A narrativa nos mostra que a força humana não nasce da ausência de dificuldades, mas da coragem de seguir apesar delas. Essa mensagem dialoga profundamente com o cotidiano de quem trabalha com educação inclusiva: acreditar no potencial humano mesmo quando o mundo parece duvidar dele.

Algo semelhante aparece na conhecida fábula A corrida dos sapinhos, frequentemente associada a Monteiro Lobato. Nela, vários sapinhos tentam subir uma grande torre enquanto a multidão grita que é impossível. Um a um desistem — exceto um, que chega ao topo. No final descobre-se que ele era surdo: não ouviu as vozes que diziam que não conseguiria. A fábula nos ensina que, muitas vezes, o maior obstáculo não está nas limitações reais, mas nas crenças negativas que nos cercam.

Esse princípio também ecoa no pensamento de grandes nomes da humanidade. Albert Einstein defendia que cada pessoa possui uma forma única de inteligência e que julgar alguém apenas por um padrão é ignorar sua verdadeira capacidade. Já Mahatma Gandhi lembrava que a força de transformação começa dentro de cada ser humano, quando ele decide agir com coragem e perseverança.

Na perspectiva da psicologia contemporânea, autores como Mary Cury ressaltam a importância do encorajamento, da empatia e do olhar sensível sobre o desenvolvimento humano. Acreditar em alguém pode ser o primeiro passo para que essa pessoa aprenda a acreditar em si mesma.

Como professora, que atua na educação especial, na APAE e também na sala de recursos, convivo diariamente com alunos com deficiência intelectual, distúrbios de aprendizagem e também com aqueles que possuem altas habilidades. Cada um deles traz uma história, um ritmo, uma forma singular de aprender e de se expressar. Em muitos momentos, esses alunos já chegam marcados por rótulos ou por expectativas reduzidas. Por isso, meu papel não é apenas ensinar conteúdos, mas oferecer algo ainda mais essencial: incentivo, apoio, afeto, amor e carinho.

Acredito profundamente que cada estudante possui um potencial que precisa ser descoberto e cultivado. Quando um professor acredita, ele acende uma luz no caminho do aluno. Quando encoraja, abre possibilidades. E quando acolhe, ajuda a transformar insegurança em confiança.

Assim como os personagens de Torto Arado seguem lutando por dignidade, e como o pequeno sapinho da fábula que chega ao topo da torre, muitos alunos também precisam aprender a caminhar sem ouvir as vozes que dizem “você não consegue”. Eles precisam de alguém que os ajude a perceber que são capazes.

Educar, nesse sentido, é um ato de esperança. É olhar para cada aluno e enxergar além das dificuldades, reconhecendo a força que ainda está florescendo. E quando essa força encontra um ambiente de apoio, respeito e amor, ela se transforma em coragem para continuar tentando — até que cada um alcance, à sua maneira, o próprio topo da torre.

 

 Clediane Aparecida Wronski - Professora do CEPA - SLF e Escritora do https://www.caminhandocomfrancisco.com/


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 
 
 

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Por ter alguém que acredite em nós, gera uma força, uma vontade de crescer e realizar os nossos sonhos, um encorajamento necessário nos motiva.

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