Entre o ego e a essência: a urgência da empatia em tempos de aparências
- Paulo Roberto Savaris

- há 3 dias
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Vivemos tempos complexos, paradoxais e profundamente contraditórios. Uma época em que o ego é frequentemente exaltado e a arrogância, não raro, é confundida com autenticidade. Parece que nunca houve tantas "carroças vazias" ocupando espaços de destaque, inclusive na educação, onde a humildade e o compromisso com o conhecimento deveriam prevalecer.
Na sociedade capitalista em que estamos inseridos, percebe-se uma crescente supervalorização dos bens materiais. O ter passou a ocupar o lugar do ser. Medimos pessoas por suas posses, cargos, títulos, patrimônio e visibilidade, esquecendo-nos de que a verdadeira riqueza está naquilo que elas são, e não naquilo que possuem. Confundimos a natureza humana (a alma, o espírito, a essência) com os bens que acumulamos ao longo da vida.
Nesse cenário, a empatia perdeu espaço. Entretanto, talvez seja justamente ela a maior revolução de que o mundo necessita. A Palavra de Deus nos ensina que nossa identidade não está nas conquistas materiais, mas n'Ele. É Nele que encontramos nossa verdadeira essência e aprendemos o que significa ser plenamente humano.
Diante disso, surge uma pergunta inevitável: como cultivar a empatia em um mundo marcado pelo individualismo (egoísmo), pela indiferença e pelo desamor?
Infelizmente, a sociedade contemporânea parece ensinar mais o egoísmo do que o amor; mais a competição do que a cooperação; mais a busca por vantagens pessoais do que o altruísmo. Tornou-se difícil colocar o bem do outro acima dos próprios interesses, agir com generosidade sem esperar recompensas ou praticar a solidariedade como expressão natural da nossa humanidade.
Em vez de amar as pessoas e usar as coisas, constantemente fazemos o contrário: usamos as pessoas e amamos as coisas.
Vivemos pressionados por uma lógica que nos impulsiona a ganhar mais, aparecer mais, consumir mais e aparentar mais. Estamos imersos na cultura da comparação, das aparências e da insatisfação permanente. Sempre parece faltar algo para que nos sintamos completos.
Todavia, a paz não nasce dessa corrida incessante por reconhecimento, status ou bens materiais. Ela floresce na humildade, na simplicidade, na gratidão e na valorização daquilo que dinheiro algum pode comprar: o amor, a amizade, a fé, a esperança, a família, a solidariedade e a comunhão com Deus.
O resultado desse modelo de sociedade é visível. Crescem a ansiedade, a inquietação, o sentimento de vazio e a fragilidade emocional. Muitos vivem cercados de bens, mas carentes de sentido; perdem o encontro consigo mesmos, conectados virtualmente, porém distantes dos relacionamentos verdadeiros. Não é por acaso que os transtornos relacionados à saúde mental aumentam de forma tão significativa.
Talvez o grande desafio do nosso tempo não seja produzir mais, conquistar mais ou consumir mais, mas reaprender a olhar para o outro com amor, reconhecimento e misericórdia. Recuperar a capacidade de enxergar, em cada pessoa, um irmão criado à imagem e semelhança de Deus.
A verdadeira transformação da sociedade não acontecerá apenas por meio de avanços tecnológicos, econômicos ou científicos. Ela começará quando compreendermos que nossa maior riqueza é a capacidade de amar.
E então resta a pergunta, que deve ecoar em nossa consciência todos os dias: onde está nossa capacidade de enxergar Deus no rosto do nosso irmão? Onde está nossa capacidade de amar?
✍ Clediane Aparecida Wronski - Professora do CEPA e da APAE e Escritora do Blog Caminhando com Francisco https://www.caminhandocomfrancisco.com/



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