A impressão das Chagas de São Francisco de Assis

As chagas de Francisco: paixão, amor e esperança
“Ó Senhor meu Jesus Cristo, duas graças te peço que me faças antes que eu morra: a primeira é que em vida eu sinta na alma e no corpo, quanto for possível, aquelas dores que tu, doce Jesus, suportaste na hora de tua acerbíssima Paixão; a segunda é que eu sinta no meu coração, quanto for possível, aquele excessivo amor do qual tu, Filho de Deus, estavas inflamado para voluntariamente suportar uma tal Paixão por nós pecadores.”
Assim rezava São Francisco de Assis no Monte Alverne. E, estando por longo tempo em oração e contemplação da Paixão de Cristo e de sua infinita caridade, Francisco foi profundamente transformado pelo amor. Todo ele se tornou, por amor e compaixão, semelhante a Cristo.
Então, naquela manhã, apareceu-lhe um serafim com seis asas resplandecentes e inflamadas, trazendo em si a imagem de um homem crucificado. E Francisco compreendeu que aquela visão lhe era concedida para que percebesse que não deveria ser transformado em Cristo apenas pelo sofrimento corporal, mas, sobretudo, pelo incêndio interior do amor.
Hoje, 17 de setembro, celebramos a Impressão das Chagas de São Francisco de Assis: a impressão das chagas do Crucificado no corpo do Pobrezinho de Assis.
A festa de hoje nos lembra que Francisco é o homem da paixão. Paixão por Jesus Cristo, paixão pelos pobres, paixão pela criação, paixão pela vida. Seu amor por Cristo não ficou apenas nas palavras: tornou-se existência, entrega, compaixão e serviço.
Francisco contemplou o Crucificado e, contemplando-o, deixou-se transformar por aquele amor. As chagas em seu corpo tornaram-se sinal visível de uma realidade que já ardia dentro dele: um coração incendiado pelo amor de Deus.
Francisco é, assim, também memória dos crucificados da história. Seu corpo frágil e marcado pela dor nos coloca diante do mistério do sofrimento humano. Mas as chagas não são a última palavra. Elas apontam para algo maior: para a esperança, para a ressurreição, para a vida transfigurada.
A festa das chagas nos coloca diante do mistério da vida, do mistério do sofrimento e, sobretudo, do mistério do amor.
Francisco nos ensina que amar é entrar na realidade do outro, aproximar-se de quem sofre, cuidar dos pobres, defender a vida, abraçar a criação e reconhecer em cada criatura uma expressão do amor do Criador.
Seu amor tornou-se universal: um amor que abraça o ser humano, a natureza, os animais, a Terra, o universo inteiro. Um amor que não exclui, não abandona e não desiste.
Que São Francisco de Assis nos ajude a viver essa paixão pelos que sofrem e essa paixão por Jesus Cristo.
Que, diante da cruz e da dor, não percamos a esperança.
Que, quando o caminho parecer difícil, não deixemos de caminhar.
E que aprendamos, como Francisco, que a cruz não é o fim do caminho. O Crucificado é também o Ressuscitado.
Que o Cristo crucificado e ressuscitado nos acompanhe, fortaleça nossos passos e faça de nosso coração uma pequena chama de amor no meio do mundo.
São Francisco de Assis, homem das chagas e homem do amor, rogai por nós.
Em louvor de Cristo. Amém!
Escrito por
Eder Vasconcelos
Irmão Franciscano de Santa Isabel da Hungria




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