Oração que Brota do Vento e da Água
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A criação como liturgia viva
Nem toda oração nasce de palavras.Algumas brotam do vento que passa sem pedir licença.Outras escorrem silenciosas na água que encontra seu caminho.
Francisco aprendeu a rezar assim.
Para ele, a criação não era apenas fruto da ação de Deus — era ação de Deus em movimento contínuo. O vento que refresca, a água que limpa, a chuva que fecunda, o silêncio que acolhe: tudo participava de uma liturgia viva, sem altares fixos, sem horários marcados, sem fórmulas prontas.
O mundo inteiro era um espaço sagrado.
Enquanto muitos buscavam Deus apenas nos templos, Francisco O reconhecia no ritmo da natureza. O vento que não se deixa aprisionar o ensinava sobre liberdade. A água que nunca permanece a mesma o iniciava no mistério da entrega. Nada precisava explicar — tudo já anunciava.
Essa oração não se impõe.Ela acontece.
Talvez por isso seja tão difícil para nós, acostumados ao controle, ao ruído e à pressa. Perdemos a capacidade de escutar o que não grita. De perceber que a vida reza continuamente — mesmo quando não estamos atentos.
👉 Essa escuta sensível já se revela quando aprendemos que A Natureza Não é Cenário, é Parente, e por isso fala conosco.
👉 E também em Francisco e o Cântico das Criaturas, onde o louvor nasce da convivência com o chão da vida.
Francisco não separava oração e existência. Rezar era habitar o mundo com reverência. Era permitir que o vento o atravessasse, que a água o ensinasse, que o silêncio o curasse.
A criação continua celebrando sua liturgia. O problema não é a ausência de Deus — é a nossa distração.
Talvez hoje sejamos convidados a reaprender essa oração antiga e sempre nova: desligar um pouco o excesso de palavras, diminuir o ruído interior e permitir que o vento e a água nos devolvam ao essencial.
Porque há uma prece que só nasce quando paramos de falar e começamos, enfim, a escutar.
Tenho permitido que o vento e a água me ensinem a rezar?
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