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Francisco e o Cântico das Criaturas

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Louvor que nasce do chão

O Cântico das Criaturas não nasceu em um tempo de triunfo.Não foi escrito à sombra de aplausos nem em dias de conforto.Nasceu quando o corpo de Francisco já estava cansado, os olhos quase sem luz e a dor se tornara companheira constante.

E ainda assim, ele cantou.

Isso talvez seja o mais revolucionário do Cântico: o louvor que brota quando tudo convida ao silêncio amargo. Francisco não canta apesar da fragilidade — canta a partir dela. Seu louvor não vem do alto; nasce do chão, do pó, da limitação, da vida como ela é.

Ao chamar o sol de irmão, a lua de irmã, o vento de companheiro e a terra de mãe, Francisco não está apenas embelezando o mundo com palavras. Ele está declarando pertença. Está dizendo: eu faço parte. E só quem se reconhece parte consegue louvar sem dominar.

O Cântico não é uma fuga da realidade.É um mergulho profundo nela.

Francisco louva o sol que aquece, mas também a irmã morte que chega. Louva a água que refresca e o fogo que ilumina — mesmo sabendo que ambos podem ferir. Seu louvor não seleciona apenas o que agrada. Abraça o todo.

Vivemos tempos em que o louvor muitas vezes se tornou ruído: alto, acelerado, desconectado da vida concreta. O Cântico das Criaturas, ao contrário, é lento. Caminha descalço. Escuta antes de falar. É oração que nasce do convívio, não da teoria.

👉 Essa espiritualidade que reconhece o sagrado no cotidiano já se anuncia em Irmã Terra Não Grita: Ela Sussurra, quando aprendemos que a criação fala em voz baixa.👉 E também em Quando o Pássaro Ensina a Confiar, onde o louvor se transforma em abandono confiante. Esses e outros textos podem ser encontrados no Blog Caminhando com Francisco: https://www.caminhandocomfrancisco.com/blog

Francisco nos ensina que louvar não é negar a dor, mas atravessá-la sem perder a capacidade de reconhecer a beleza. É perceber que mesmo em meio às feridas, a vida continua digna de gratidão.

Talvez hoje precisemos reaprender esse louvor essencial — menos palavras, mais presença. Menos espetáculo, mais chão. Um louvor que nasce da convivência com a terra, com os limites, com os outros e consigo mesmo.

O Cântico das Criaturas não nos afasta do mundo.Ele nos devolve a ele — reconciliados.

Que louvor ainda pode nascer do chão da minha vida?

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