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🐇 Os Coelhos Travessos e o Que Eles Me Ensinam

No sítio, a prole coelina é formada pela dupla Cacau e Paçoca e pela donzela Amendoim. Três pequenos seres de orelhas atentas, movimentos rápidos e uma delicadeza que contrasta com a força silenciosa que carregam.

Vivem em espaço protegido — um cercado firme, pensado com cuidado. Ali podem correr, brincar e explorar. Não podem permanecer juntos o tempo todo, pois a natureza dos coelhos é fértil, abundante, quase exponencial. A vida, quando encontra oportunidade, multiplica-se sem pedir licença.

E isso, por si só, já é uma lição.

Aprendo com eles que a potência da vida exige responsabilidade. Nem toda capacidade deve ser deixada sem direção. Cuidar também é organizar, é compreender limites, é respeitar o equilíbrio.

O cercado precisa ser forte. Não apenas para mantê-los dentro, mas para protegê-los. A prole canina, curiosa e cheia de energia, gosta de colocá-los a correr. Não há maldade — mas há pressão. E a pressão constante, mesmo sem ferir o corpo, pode adoecer a alma. Já vi o estresse tirar a vida de uma coelha.

Ali compreendi algo profundo:Nem toda violência é visível.Nem toda agressão deixa marcas externas.

Os coelhos me ensinam sobre vulnerabilidade e sobre vigilância. Seus ouvidos estão sempre erguidos. Seus olhos atentos. Seu corpo preparado para o movimento rápido, para o desvio preciso, para a fuga estratégica.

Eles não enfrentam o perigo. Eles o evitam.

E talvez isso também seja sabedoria.

Vivemos em um mundo que glorifica o confronto. Mas os coelhos me mostram que sobreviver também é saber sair de cena. Que coragem, às vezes, é recuar.

Outra lição vem da alimentação. Preferem ervas simples — cidreira, alecrim, folhas frescas. Nada de excessos. Alimentam-se do que a terra oferece com generosidade e equilíbrio.

Enquanto os observo mastigando calmamente, percebo o quanto complicamos o que é simples. Eles me lembram que o essencial sustenta.

Rapidez sem ansiedade.Vigilância sem paranoia.Delicadeza sem fragilidade.

Os coelhos travessos me ensinam que suavidade não é fraqueza. É estratégia.Que fertilidade exige responsabilidade.E que o cuidado é uma forma silenciosa de amor.

Talvez, no fundo, tornar-se mais humano seja aprender a ser mais atento, mais simples e mais gentil — como quem escuta o mundo com orelhas erguidas e coração desperto.


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