🌾 Antes da Palavra, Deus Falou Pela Criação
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Antes que o ser humano aprendesse a falar,
antes que organizasse ideias, crenças ou doutrinas,
antes que disputasse narrativas ou verdades,
Deus já falava.
Falava pelo vento que refresca.
Pela água que corre.
Pela terra que sustenta.
Pelo ritmo das estações que ensina começo, espera e fim.
A criação foi o primeiro evangelho.
Jesus compreendia isso profundamente.
Por isso falava do Reino olhando para os lírios do campo, para as aves do céu, para a semente lançada na terra. Ele não usava a natureza como metáfora decorativa, mas como mestra espiritual. Quem observa com atenção aprende sem precisar de muitos discursos.
Francisco de Assis também escutou essa linguagem primordial. Chamou a terra de irmã, o sol de irmão, a água de mãe. Não por poesia vazia, mas por percepção espiritual. Ele entendeu que a criação não é cenário — é relação.
O problema é que desaprendemos a escutar.
Hoje, todos querem falar.
Opinar.
Explicar.
Corrigir.
Vivemos em um tempo em que o silêncio é visto como fraqueza e a escuta como perda de tempo. As redes transformaram opinião em identidade. Quem não se posiciona imediatamente parece inexistente. Quem observa com calma é acusado de alienação.
Enquanto isso, a criação segue falando — ignorada.
Os animais não discursam sobre equilíbrio, mas o vivem. Não teorizam sobre limites, mas os respeitam. Um pássaro não acumula mais do que precisa. Um rio não tenta correr mais rápido do que pode. Uma árvore não apzinha outras para crescer — apenas ocupa o espaço que lhe cabe.
Há mais sabedoria em um bosque silencioso do que em milhares de comentários apressados.
A espiritualidade franciscana nos convida a um retorno. Não para um passado idealizado, mas para uma escuta essencial. Antes de falar sobre Deus, ouvir o que a vida já está dizendo. Antes de reagir, perceber. Antes de julgar, contemplar.
A ecologia integral começa aqui: quando reconhecemos que não somos donos da criação, mas parte dela. Quando deixamos de tratar a natureza como recurso e voltamos a vê-la como mestra. Quando entendemos que cuidar da Terra é também curar a nós mesmos.
Talvez falemos demais porque ouvimos de menos.
Jesus se retirava para o silêncio antes de falar às multidões. Francisco se afastava para a solidão antes de agir. Ambos sabiam que palavras vazias nascem de escutas rasas.
O mundo não precisa de mais discursos inflamados.Precisa de pessoas que saibam escutar.
Escutar a dor.
Escutar a Terra.
Escutar o outro.
Escutar a própria consciência.
Antes da palavra, Deus falou pela criação.E talvez ainda esteja falando — para quem tiver coragem de silenciar.
E você? O que a vida tem tentado lhe dizer enquanto o barulho não deixa ouvir? 🌾🌍




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