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A Dor de Ser Usada e a Força de Continuar Amando

A frase “Ame as pessoas e use as coisas, não o contrário”, frequentemente associada a Chorão, ecoa uma verdade profunda sobre as relações humanas. Também dialoga com o pensamento ético de Immanuel Kant, que defendia que o ser humano nunca deve ser tratado como objeto ou instrumento, mas sempre como alguém que possui valor em si mesmo. Todavia, na vida real, muitas vezes experimentamos exatamente o contrário dessa filosofia.

Durante muito tempo caminhei acreditando na beleza sincera da amizade. Acreditei que amizade era presença, cuidado, escuta e lealdade. Ofereci o que tinha de mais verdadeiro: atenção, apoio, palavras de encorajamento, carinho e acolhimento. Estive presente quando precisaram de mim. Fui ombro, conselho, companhia e coração aberto.

Mas a vida, às vezes, nos revela verdades difíceis de aceitar.

Com o tempo, percebi que algumas pessoas não estavam ali por quem eu era, mas pelo que eu representava naquele momento. Enquanto eu servia de apoio, sobretudo relacionadas a atividades cognitivas/intelectuais, enquanto podia ajudar, aconselhar, acolher ou facilitar algo, eu era lembrada, procurada, valorizada. Porém, quando já não havia utilidade, quando minha presença deixou de ser conveniente, simplesmente fui deixada de lado.

Sem explicação. Sem consideração. Sem verdade, aliás, inclusive atémesmo envolvendo mentiras, colocando palavras em minha boca que não foram mencionadas, por inveja, maldade, feiura da alma...

Foi então que compreendi, com uma mistura de dor e lucidez, que existem pessoas que amam coisas e usam pessoas. Pessoas que medem relações pelo benefício que podem extrair. Pessoas que confundem amizade com conveniência.

Ser usada e depois descartada fere. Fere porque quem tem o coração sincero não entra nas relações calculando vantagens. Quem ama de verdade se entrega com verdade, acreditando que o outro também valoriza o vínculo.

Mas, apesar da dor, essa experiência também revela algo essencial: o erro nunca esteve em amar demais, mas em confiar em quem não sabia amar.

Hoje compreendo que o caráter de alguém se revela na forma como trata as pessoas quando já não precisa mais delas. Algumas pessoas acumulam coisas, vantagens e interesses. Outras acumulam relações verdadeiras.

Eu escolho continuar pertencendo ao segundo grupo.

Porque, no final, quem usa pessoas pode até seguir em frente sem olhar para trás. Mas quem ama pessoas de verdade carrega algo muito mais valioso que qualquer conveniência passageira: consciência tranquila, dignidade e a certeza de que nunca precisou diminuir ninguém para seguir seu caminho.

E mesmo que algumas amizades tenham sido apenas passageiras ou interesseiras, eu continuo com aquilo que ninguém pode tirar de mim: a capacidade de amar com verdade e de reconhecer o valor humano que nunca deveria ser tratado como coisa.


Clediane Aparecida Wronski - Professora do CEPA - SLF e Escritora do Blog Caminhando com Francisco https://www.caminhandocomfrancisco.com/

 


 
 
 

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